03 novembro 2026

O PESO DO QUE DEVERIA SER LEVE: QUANDO O CANSAÇO CRUZA O CAMINHO DO PROFESSOR.

 A vida não é nada fácil para quem dá aula... Sim, eu falo do professor, daquele que está na ativa. Fica cansado, quase não para em pé. Torce para chegar logo o horário do almoço, mas muitos ficam quietos, num canto qualquer da escola, parados, ainda com o prato nas mãos, ou pausados numa mesa qualquer, com os braços quase sem aguentar segurar o garfo. Não dá vontade de comer. Não dá vontade de lavar o prato depois. Não dá vontade de sair de onde está, mesmo sabendo que tem mais uma turma para dar conta. Está tudo ali, rodando no cérebro, e a comida estagnada no prato. 

29 outubro 2026

Trançando Vidas: Quando o Papel Virou Sobrevivência e Amor.



Em 1998, o mundo sob os meus pés começou a tremer. Lembro-me com clareza dos primeiros sinais de preocupação no rosto do meu marido. A empresa em que ele trabalhava ia de mal a pior, os pagamentos atrasavam até parar de vez, e a angústia de ver as contas acumularem tomou conta da nossa casa. Nossos filhos ainda eram pequenos e estudavam em colégio particular. O desespero de querer dar conforto a ele, de ver um homem dedicado se desdobrando ao máximo sem receber o prometido, me cortava a alma. Éramos recém-chegados a São Paulo, e o medo da cidade grande só deixava tudo mais tenso.

Eu precisava fazer alguma coisa. Não podia ficar de braços cruzados vendo quem eu amava se afundar na dor de não conseguir sustentar a própria família.

27 outubro 2026

A Conta de Luz Esquecida e o Fim de Semana Perfeito: Escolhendo o Afeto no Meio do Caos

 Certa vez, cheguei em casa passava das 23 horas e me deparei com meu marido sentado na varanda, bem tranquilo, para me dar a notícia: estávamos sem energia elétrica. Ele já tinha até tomado banho na água fria.

Nessa época, minha rotina era insana. Eu trabalhava em duas funções: como professora adjunta, das 13h40 às 22h40, e com carga suplementar, das 07h00 às 12h00. Caramba, eu estava morta de cansaço, exausta e doida por um banho quente.

Abri o celular, entrei no aplicativo da Enel e... bingo!

25 outubro 2026

A Montanha de Papéis Amassados: O Amor que Virou Arte e Sobrevivência

 

Meu marido ficava sempre ali, no fundo de uma varanda, nos fundos de casa... A casa, um sobrado numa rua bem movimentada em um bairro armênio, em Osasco. Eram 8 horas por dia, parando uma hora para o almoço — mas nem sempre foi assim.

Ele estava sem trabalho e, claro, se preocupava em me ver correndo atrás de algo que nos mantivesse vivos. Éramos sobreviventes do caos.

Um dia, falei para ele: "Faz canudos de jornal. Eu tramo as peças e saio vendendo." Ele parou e disse que não conseguiria. Mas, naquele dia, eu estava decidida a fazê-lo concordar e me ajudar. Expliquei rapidamente antes de sair, pois naquele momento eu estava socorrendo uma escola particular que precisava de uma professora de artes posicionada, que desse conta dos alunos.

Quando retornei para casa, ele estava aparentemente nervoso, com as mãos trêmulas. Ao seu lado, havia muitos, mas muitos papéis amassados — era uma verdadeira montanha de papéis no chão. E, sobre a mesa, alguns canudos prontos: os mais belos que já vi na vida, os mais perfeitos, os mais incríveis, trabalhados em uma simetria assustadora.

O abracei bem forte. Falei que nunca tinha visto tanta perfeição, conversamos sobre aquela montanha de papéis amassados e pedi perdão por ter sido dura com ele. Tive a impressão de que ele quis chorar diante do meu pedido, e então eu entendi o quanto minhas falas tinham doído nele — falas que foram, sim, o desabafo dolorido de quem carregava o fardo de ter que dar conta de tudo sozinha.

Eu sei que ele me amava de um jeito sem limites e que, por isso, se posicionou para me ajudar. E lá ficava ele: sentado, enrolando canudos...

Foi um tempo bom para nós. Eu tramava, saía para vender, depois contratei uma pessoa para ajudar nas tramas e mais uma para o atendimento. Assim, passamos a viver da nossa arte.

Eu jamais vou me esquecer do amor sem fim do meu marido por mim, por nós.

— Rosi Ribeiro



23 outubro 2026

Fios do Protagonismo: A Cultura Maker e o Letramento Digital na Ressignificação do Recreio Dirigido

O fazer pedagógico se constrói na prática, no afeto e na busca constante por linguagens que conectem, engajem e transformem a aprendizagem no chão da escola.

Compartilho aqui a estrutura completa do projeto "Fios do Protagonismo: A Cultura Maker e o Letramento Digital na Ressignificação do Recreio Dirigido", elaborado e submetido ao Prêmio Ação Destaque (Editora Opet).

A proposta une o desenvolvimento tátil do artesanato (crochê), a autonomia da Cultura Maker e o letramento digital, ressignificando o espaço do recreio em um ambiente vivo de aprendizagem, regulação emocional e inclusão.

Navegue pelos slides abaixo para conhecer a justificativa, as 5 fases metodológicas e os resultados alcançados:




Profa. Rosi Ribeiro
Pedagoga, Psicopedagoga, Pesquisadora em Educação Inclusiva e Editora na Tulha Ateliê Editora.

A FÉ QUE NOS MOVEU: O PARAPEITO, A ESPERANÇA E O COLO DE DEUS

 


A fé é essa força soberana que devolve a esperança, a vontade de continuar vivo e a certeza de que ainda é possível andar, respirar e recomeçar.

Foi assim em 2019, quando meu marido precisou passar pela retirada de mais de 70% da língua por conta de um câncer raro, agressivo e avassalador — fruto de anos e anos de um uso frequente e contínuo do cigarro. Eram três maços por dia. Absurdo, mas era assim que acontecia. Ele costumava me dizer:— Preta, eu não saio de casa, eu só trabalho, não faço nada de errado... O que eu mais gosto é fumar, me deixa fumar...

Ele era extremamente respeitoso. Não fumava dentro de casa, não fumava no carro e nem no espaço de quem não fumava. E eu o amava infinitamente. Por conta desse amor visceral, eu brigava, discutia e implorava para que ele deixasse o vício.

A cirurgia foi gigantesca. Tiveram que esvaziar a região até a jugular para impedir que a doença avançasse. Naquele dia, vivi o horror de ficar mais de dez horas na porta do Centro Cirúrgico, esperando boletins de hora em hora. A sala de espera estava cheia pela manhã; com o passar do tempo, as pessoas foram indo embora e eu fui ficando... até que precisei me deitar naquele sofá, enquanto a equipe continuava trazendo notícias apenas para mim. Eu estava em um vazio indescritível.

Quando me colocaram de frente com ele, na antessala, assustei-me. Ele estava muito inchado. Mas, ainda assim, fez menção de procurar a minha mão. Eu o grudei ali, com toda a força da minha alma, e fomos juntos para o quarto.

A foto que ilustra esta memória foi feita dias depois. A fisioterapeuta o tirou do leito para andar um bocadinho e eu o acompanhei, passo a passo. No meio do caminho pelo corredor, ele mirou a luz de uma janela e, debruçado no parapeito, de mãos postas, se derramou diante do Senhor em pura oração e agradecimento.

Engoli o choro. Fiz-me forte, inabalável. Posicionei-me a poucos passos e apenas o observei. Meu coração se encheu de uma alegria indizível ao vê-lo ali, entregue e alinhado ao Pai. Ele tinha acabado de vencer a primeira e mais difícil batalha — mal sabíamos que teríamos muitas outras pela frente.

O que importou naquele instante foi a fé dele. E foi essa mesma fé que nos fez caminhar, juntos, por mais cinco anos de vida, amor e presença.

"Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé."

— 2 Timóteo 4:7

A fé nos moveu ontem, nos sustentou ao longo do caminho e continua nos movendo hoje. 🕊️✨

Profa. Rosi Ribeiro — Psicopedagoga e Editora

ORCID: https://orcid.org/0009-0005-7144-7656

17 outubro 2026

AS VOLTAS DA VIDA, O CADERNO E O COLO DE DEUS

 A vida é incrivelmente interessante. Ela dá voltas, caminhos se trançam e, de repente, a gente se encontra na mesma curva — mas dessa vez com o aprendizado necessário para parar, refletir, respirar e manter a calma.

O dia passa assim, voando. A rotina nos engole de um jeito que, se não nos atentarmos, nem percebemos o que fizemos com as nossas horas. Se não anotarmos, se não colocarmos nossas ideias, tarefas e sentimentos devidamente escritos num pedaço de papel, num caderno ou numa agenda, no dia seguinte caímos exatamente no mesmo ciclo. Ficamos rodando dentro da própria engrenagem, presos às nossas angústias, anseios e urgências fabricadas. É preciso parar. Encontrar o nosso centro, resgatar os nossos sonhos e tomar as decisões acertadas com o coração tranquilo.

Outro dia, me deparei com uma situação muito triste. Alguém que ocupava um cargo superior ao meu me humilhou. São coisas que marcam, e eu jamais vou me esquecer do tom e da intenção. Mas quer saber o que fiz? Fui para casa e me derramei diante do meu Deus.

Falei com Ele sobre tudo, de modo muito tranquilo. Afinal, eu nem precisei explicar os detalhes do ocorrido: Ele já estava me esperando de braços abertos. Deus conhece perfeitamente cada um dos Seus filhos — até mesmo os de coração duro, os perversos, os que se embriagam com o poder passageiro dos seus cargos. Mas nada, absolutamente nada, abala um coração que se dobra em sinceridade e fé.

"Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado e salva os de espírito oprimido." — Salmos 34:18

Estou escrevendo isso hoje não por mágoa, mas por propósito. Escrevo para que você, que talvez esteja enfrentando um momento injusto, uma palavra dura ou uma situação difícil no seu trabalho ou na sua vida, nunca se esqueça: nós temos um Pai. Um Pai de verdade, que tudo pode e tudo vê.