25 outubro 2026

A Montanha de Papéis Amassados: O Amor que Virou Arte e Sobrevivência

 

Meu marido ficava sempre ali, no fundo de uma varanda, nos fundos de casa... A casa, um sobrado numa rua bem movimentada em um bairro armênio, em Osasco. Eram 8 horas por dia, parando uma hora para o almoço — mas nem sempre foi assim.

Ele estava sem trabalho e, claro, se preocupava em me ver correndo atrás de algo que nos mantivesse vivos. Éramos sobreviventes do caos.

Um dia, falei para ele: "Faz canudos de jornal. Eu tramo as peças e saio vendendo." Ele parou e disse que não conseguiria. Mas, naquele dia, eu estava decidida a fazê-lo concordar e me ajudar. Expliquei rapidamente antes de sair, pois naquele momento eu estava socorrendo uma escola particular que precisava de uma professora de artes posicionada, que desse conta dos alunos.

Quando retornei para casa, ele estava aparentemente nervoso, com as mãos trêmulas. Ao seu lado, havia muitos, mas muitos papéis amassados — era uma verdadeira montanha de papéis no chão. E, sobre a mesa, alguns canudos prontos: os mais belos que já vi na vida, os mais perfeitos, os mais incríveis, trabalhados em uma simetria assustadora.

O abracei bem forte. Falei que nunca tinha visto tanta perfeição, conversamos sobre aquela montanha de papéis amassados e pedi perdão por ter sido dura com ele. Tive a impressão de que ele quis chorar diante do meu pedido, e então eu entendi o quanto minhas falas tinham doído nele — falas que foram, sim, o desabafo dolorido de quem carregava o fardo de ter que dar conta de tudo sozinha.

Eu sei que ele me amava de um jeito sem limites e que, por isso, se posicionou para me ajudar. E lá ficava ele: sentado, enrolando canudos...

Foi um tempo bom para nós. Eu tramava, saía para vender, depois contratei uma pessoa para ajudar nas tramas e mais uma para o atendimento. Assim, passamos a viver da nossa arte.

Eu jamais vou me esquecer do amor sem fim do meu marido por mim, por nós.

— Rosi Ribeiro



23 outubro 2026

Fios do Protagonismo: A Cultura Maker e o Letramento Digital na Ressignificação do Recreio Dirigido

O fazer pedagógico se constrói na prática, no afeto e na busca constante por linguagens que conectem, engajem e transformem a aprendizagem no chão da escola.

Compartilho aqui a estrutura completa do projeto "Fios do Protagonismo: A Cultura Maker e o Letramento Digital na Ressignificação do Recreio Dirigido", elaborado e submetido ao Prêmio Ação Destaque (Editora Opet).

A proposta une o desenvolvimento tátil do artesanato (crochê), a autonomia da Cultura Maker e o letramento digital, ressignificando o espaço do recreio em um ambiente vivo de aprendizagem, regulação emocional e inclusão.

Navegue pelos slides abaixo para conhecer a justificativa, as 5 fases metodológicas e os resultados alcançados:




Profa. Rosi Ribeiro
Pedagoga, Psicopedagoga, Pesquisadora em Educação Inclusiva e Editora na Tulha Ateliê Editora.

A FÉ QUE NOS MOVEU: O PARAPEITO, A ESPERANÇA E O COLO DE DEUS

 


A fé é essa força soberana que devolve a esperança, a vontade de continuar vivo e a certeza de que ainda é possível andar, respirar e recomeçar.

Foi assim em 2019, quando meu marido precisou passar pela retirada de mais de 70% da língua por conta de um câncer raro, agressivo e avassalador — fruto de anos e anos de um uso frequente e contínuo do cigarro. Eram três maços por dia. Absurdo, mas era assim que acontecia. Ele costumava me dizer:— Preta, eu não saio de casa, eu só trabalho, não faço nada de errado... O que eu mais gosto é fumar, me deixa fumar...

Ele era extremamente respeitoso. Não fumava dentro de casa, não fumava no carro e nem no espaço de quem não fumava. E eu o amava infinitamente. Por conta desse amor visceral, eu brigava, discutia e implorava para que ele deixasse o vício.

A cirurgia foi gigantesca. Tiveram que esvaziar a região até a jugular para impedir que a doença avançasse. Naquele dia, vivi o horror de ficar mais de dez horas na porta do Centro Cirúrgico, esperando boletins de hora em hora. A sala de espera estava cheia pela manhã; com o passar do tempo, as pessoas foram indo embora e eu fui ficando... até que precisei me deitar naquele sofá, enquanto a equipe continuava trazendo notícias apenas para mim. Eu estava em um vazio indescritível.

Quando me colocaram de frente com ele, na antessala, assustei-me. Ele estava muito inchado. Mas, ainda assim, fez menção de procurar a minha mão. Eu o grudei ali, com toda a força da minha alma, e fomos juntos para o quarto.

A foto que ilustra esta memória foi feita dias depois. A fisioterapeuta o tirou do leito para andar um bocadinho e eu o acompanhei, passo a passo. No meio do caminho pelo corredor, ele mirou a luz de uma janela e, debruçado no parapeito, de mãos postas, se derramou diante do Senhor em pura oração e agradecimento.

Engoli o choro. Fiz-me forte, inabalável. Posicionei-me a poucos passos e apenas o observei. Meu coração se encheu de uma alegria indizível ao vê-lo ali, entregue e alinhado ao Pai. Ele tinha acabado de vencer a primeira e mais difícil batalha — mal sabíamos que teríamos muitas outras pela frente.

O que importou naquele instante foi a fé dele. E foi essa mesma fé que nos fez caminhar, juntos, por mais cinco anos de vida, amor e presença.

"Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé."

— 2 Timóteo 4:7

A fé nos moveu ontem, nos sustentou ao longo do caminho e continua nos movendo hoje. 🕊️✨

Profa. Rosi Ribeiro — Psicopedagoga e Editora

ORCID: https://orcid.org/0009-0005-7144-7656