
Dizem que uma casa reflete quem mora nela. Olho para os meus cantos — para a parede alaranjada que escolhi para o meu quarto, para o espelho emoldurado numa janela antiga, para cada pedaço de crochê que minhas próprias mãos teceram — e percebo que esta casa continua imensamente viva.
Alguns poderiam chamar de uma casa simples. E é. Uma simplicidade refinada pelo tempo, pelo trabalho e pela afetuosidade.
Desde que fiquei sem o meu João, a palavra "solidão" tentou algumas vezes bater à porta. Mas o cuidado diário é a minha resposta a ela. Arrumar as colchas com capricho pela manhã, alinhar os travesseiros, deixar o quarto de visitas pronto e cheiroso para os netos que virão... Tudo isso é uma forma de oração sem palavras.
