A vida não é nada fácil para quem dá aula... Sim, eu falo do professor, daquele que está na ativa. Fica cansado, quase não para em pé. Torce para chegar logo o horário do almoço, mas muitos ficam quietos, num canto qualquer da escola, parados, ainda com o prato nas mãos, ou pausados numa mesa qualquer, com os braços quase sem aguentar segurar o garfo. Não dá vontade de comer. Não dá vontade de lavar o prato depois. Não dá vontade de sair de onde está, mesmo sabendo que tem mais uma turma para dar conta. Está tudo ali, rodando no cérebro, e a comida estagnada no prato.
Sou professora. Estou na ativa. Me sinto cansada e desiludida também. Cansada das burocracias, cansada de um sistema que, aos meus olhos, está falido; cansada do dia a dia comum, aquele que termina sem novidades, sem o gostinho de 'quero mais'...
Nas tentativas de fazer parecer diferente, me arrasto os empurrando para desafios e muitos não dão atenção. Crio projetos — e me fazem invisível. O sistema é bruto. O sistema é cruel. Ele tem suas exigências as quais devem ser cumpridas (quer goste ou não, quer concorde ou não) e, junto do sistema, são arrastados os sonhos, a vontade de fazer e até a esperança, que vai ficando tão cinza. Não que eu seja contra o cinza, mas convenhamos: quando deixa de existir cor, os dias parecem tristes.
Na vida, tudo tem peso e medida. E a medida exata para a vida de um professor se atropela no desejo de, pelo menos, sonhar que um dia tudo possa mudar.
Rosicler J. Ribeiro de Moraes
Professora na ativa, escritora e eterna sonhadora por uma educação com mais cor.

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