01 fevereiro 2015

Mudança



Não tinha me dado conta de como faz bem mudar.  Num determinado momento  fiquei irritada quando soube que  deveria ajeitar tudo, arrumar as malas e procurar um novo lugar para estar. Tudo ficou cinza , meus olhos já não viam uma cor sequer e meu cérebro automaticamente só sintonizava tristezas.  Como me fez mal a noticia de mudança. Veio como uma bomba. Tive que arrumar tudo às pressas, ter uma conversa séria com meus filhos  , me fazer de durona  para não deixar saltar a  água salgada dos olhos e ainda  me encher de notícias boas como se fragmentar uma família fosse bem  natural. Eu e marido ficaríamos em São Paulo mesmo ou um local qualquer próximo  onde pudéssemos trabalhar. Já meus filhos iriam para o interior, porque viver lá era mais viável; saudável. Esse foi o discurso . Eu gesticulava, falava no tom exato para ter todos os créditos da atitude correta. Era assim que deveria  ser e foi exatamente assim que aconteceu.
O tempo passou e bem depressa. Ajeitei um local para ficar com o marido . Andanças mil. Catança pelas ruas  foi o meio de sobrevivência e sobrevivemos. Tudo foi se ajeitando. Se acomodando. O cérebro começou processar momentos azuis onde a alegria começou marcar presença.
Eis que surge novamente o momento de mudar e já não me assustando mais. Devo confessar que paralisei quando veio o momento de decisão. Claro que tive vontade de chorar e chorei. Como assim, perguntou o meu coração.  Rapidamente me refiz e optei por uma atitude de decisão. Corre daqui e dali , ajeita cá e acolá.  Caixas de papelão. Caixotes de madeira. Idas e vindas. Um tempo para acostumar com a idéia e me deparo de repente que a mudança só me fez bem. Sinto o cheiro de terra molhada e o canto de tantos pássaros que parece ter festa toda manhã.  Um casal de esquilos vez ou  outra me visita,também  pela manhã . Abro a vidraça do quarto e a paisagem é deslumbrante. Me aconcheguei no meio do mato, com frutas no quintal; água que vem do poço, transparente, mineral. Portas e janelas ficam abertas e o sol entra sem pedir licença,todo farto em sua luz natural. Os vizinhos fazem parte verdadeiramente. Fiz novas amizades e isso está  fazendo um bem danado. Não que vá me desfazer das antigas , claro que não.  Mas as recém feitas fazem festa no meu coração, como se a celebrar  boas vindas.
É tudo tão confortável que mesmo andando mais de 10 Km por dia não me sinto irritada e nem pensando em desistir . Apenas me canso de um modo agradável que me traz a calma. Reflexões mil enquanto caminho. Tempo necessário para pensar e então juntar  a realidade dentro do mesmo balaio imenso com sonhos intensos.

A cada manhã, o desejo de tão somente agradecer e dizer  que  mesmo às avessas dos meus desejos, mudança nesse momento é uma palavra bendita,  que  faz entender o aprendizado que a vida me presenteia.

 http://www.ptnmulher.com.br/avesso-mudanca-por-rosi-ribeiro/
Para ver ainda mais, nesse endereço acima.

Nenhum comentário: