01 agosto 2006


VLADIMIR KUDRJAWZEW

É Engenheiro Mecânico Aeronáutico, sócio da UNNAFIBRAS e diretor da empresa de reciclagem REPET - Reciclagem de Termoplásticos Ltda.


RECICLAGEM DE PET NO BRASIL

A introdução da embalagem de PET no Brasil, em 08.08.1988, além de trazer as indiscutíveis vantagens ao consumidor, trouxe também o desafio de sua reciclagem, que nos fez despertar para a questão do tratamento das 200 mil toneladas de lixo descartadas diariamente em todo Brasil. O polímero de PET é um poliéster, um dos plásticos mais reciclados em todo o mundo devido a sua extensa gama de aplicações: Fibras têxteis, tapetes, carpetes, não-tecidos, embalagens, filmes, fitas, cordas, compostos, etc.
A embalagem de PET quando reciclada tem inúmeras vantagens sobre outras embalagens do ponto vista da energia consumida, consumo de água, impacto ambiental, benefícios sociais, entre outros. Porque a taxa de reciclagem de PET no Brasil ainda é da ordem de 20%?
A reciclagem de qualquer material pode ser dividida em: Coleta/Seleção, Revalorização e Transformação. A etapa de transformação utiliza o material revalorizado e o transforma em outro produto vendável, o produto reciclado. A etapa de revalorização realiza a descontaminação e adequação do material coletado e selecionado para que possa ser utilizado como matéria prima na indústria de transformação.
A etapa de Coleta/Seleção é que representa o grande desafio da reciclagem do PET pós-consumo. Milhões de dólares são gastos em logística, distribuição e marketing para que no final das contas, nós consumidores compremos produtos embalados em PET e levemos até nossas casas. Nós fazemos a última etapa da distribuição levando-os dos supermercados e lojas até nossas casas. Somente nas regiões metropolitanas do Brasil são 15 milhões de domicílios, 50 milhões de pessoas e 6 bilhões de embalagens de PET todo ano.
O correto equacionamento da logística reversa das embalagens pós-consumo é que vai viabilizar a reciclagem de diversos materiais inclusive o PET. A logística reversa é o processo pelo qual o material reciclável será coletado, selecionado e entregue na indústria de revalorização. Estas discussões acabam num empasse de quem é que paga a conta de logística reversa? A indústria de embalagens, a indústria dos produtos embalados, a prefeitura?
Somos nós, eu, você e toda a sociedade seja como contribuinte ou seja como consumidor. Hoje pagamos uma conta maior por não termos uma logística reversa adequada, como é provado nos países como EUA, Austrália, Japão e toda Europa. Conforme estudos realizados na USP o Brasil deixa de economizar 6 Bilhões de dólares/ano por não reciclar os materiais presentes nas 200 mil toneladas de lixo gerados todos os dias. Ainda não estão contabilizados os custos de danos ambientais e sociais. Urgente é a elaboração de uma política nacional de resíduos sólidos, as ações estaduais e municipais para viabilização da logística reversa e o fortalecimento da indústria de reciclagem no Brasil.
A REPET Reciclagem de Termoplásticos , com duas unidade em Mauá-SP e João Pessoa - PA revalorizam 1200 ton/mês de garrafas de PET ou 24 milhões de garrafas de PET/mês que deixam de ser lançadas no meio ambiente. O polímero revalorizado produzido nas unidades da REPET, na forma de flakes e granulados são transformados em fibras têxteis pela UNNAFIBRAS TÊXTIL localizada em Santo André - SP.





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